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Tamanduá em Floripa

APRENDENDO SOBRE MUDANÇAS NO MUNDO E DE NATUREZAS NO CENTRO EDUCACIONAL CLARA DE ASSIS, EM FLORIPA

Por Elson Santos Silva Carvalho. Criada em 17/05/18 10:57. Atualizada em 17/05/18 10:58.

Clara foi uma mulher que escolheu se conectar com a energia da natureza, assim como seu irmão de fé, Francisco, em Assis, na Itália. Ensinam ao mundo desde então sobre o que realmente importa. Assim como Naruto precisou aprender a sentir ochakra, mudar sua natureza, com os sapos anciãos para entrar no modo sennin (ou modo sábio). E Goku tomou emprestada o ki da humanidade para moldar a Genki Dama. Ou os primeiros inã, da Ilha do Bananal, saem de Berohodi, o fundo do Araguaia, para depois serem chamados de Karajá, como tartarugas: viventes de dois lugares. É desse jeito que só os mais experimentados se ligam à atmosfera quando machucam o joelho e sabem quando vai chover.

Foi assim, com os olhos abertos, que o Nuvem foi encaminhado ao Centro Educacional Clara de Assis, em Florianópolis. Uma linha rosa, brilhante, exigiu a presença das vidas representadas pelo Social Brasilis, do Pirambú de Fortaleza (a maior favela horizontal da América Latina), e o olhar de aprendente de quem está ou já esteve às portas da sabedoria resiliente da Amazônia. A Stela, diretora-professora-conselheira-tesoureira, é mãe do João e da Agnes. Aliás, o João e a Agnes a escolheram antes de poder falar, por serem tão especiais que não caberiam numa escola em que a paz fluísse e abraçasse a tod@s. Abrindo o desejo, criaram, no pé de uma montanha, e a alguns passos do Oceano Atlântico, uma experiência ecopedagógica viva, que só se explica pelo amor mesmo.

Foram tantos desencontros que por alguns momentos fomos acusados de estar sob umgenjutsu (aquele sonho acordado, em que você se levanta, conversa e sabe que está deitado ainda). Mas recebemos lições importantes de que a intuição conecta, vindas de Stanford, na California, via IntoActions/Social Good Brasil Labs, e da Dona Feliz (logo a convidaremos para falar com vocês), de Natividade-TO, que há seis meses nos benzeu com a proteção da terra. Se disseram-nos que conectados, transformamos, precisávamos insistir.

Nossa vivência duraria 60 minutos. Não poderíamos gravar rostos ou fotografá-los, porque o aprendizado só faz sentido com as famílias. Com duas turmas e crianças entre 09 e 10 anos. Precisávamos, nesse tempo: descobrir o que mais gostavam, ouvindo tod@s para encontrar um consenso com discordâncias mansas; compartilhar o que mais lhes dói; sensibilizar sobre o que é mais urgente no mundo e pode ser resolvido em duas semanas. Ufa!

Mas não são crianças como as que as precederam. Absorvem informações com uma velocidade impossível de ser acompanhada por qualquer disco rígido. São flexíveis. Quânticos. E estimulados a serem assim, pelo mundo que os recebeu. Pelo Centro Educacional parido entre a serra e o mar, com o nome de Clara. Mostraram tantos mundos em tão pouco tempo que os educadores só conseguiam sorrir. Ensinaram tanto sobre respeito que, em 3 minutos, já nos lembravam que não podemos ceder à tentação de não ouvir o que importa a quem faz parte daquela roda.

De tantas coisas que mais gostavam, entre sorvete, doce, Naruto, Bela e a Fera e Simpsons, escolheram A Hora do Show (que, aliás, 90% dos educadores ali no chão, não conheciam, com exceção do Jhonatam, vindo do Ceará e tão curioso que ficaria ali mais uma meia vida fuçando). De tantos problemas sem solução nesse planeta, como ter que comer cebola e rúcula, ficar longe dos pais e mães, escolheram evitar que o planeta acabe. Você tem ideia da força disso? Acreditam tanto em seu protagonismo que escolheram salvar o mundo em duas semanas. É muito legal estar vivo numa época em que há no Ocidente um esforço de aprendizagem massiva para fazer acreditar que temos capas e superpoderes. É como se se buscasse uma homeostase ética: um reequilíbrio no que nos une e um distanciamento do que nos separa.

Com paciência, pedimos que eles perguntem, investiguem, tirem fotos, conheçam, troquem experiências, intuam sabedoria de onde estiverem para, na sexta, dia 04, apresentem ao mundo a resposta para essa simples questão, que desaprendemos estando tão amordaçados e apressados: o fim do mundo pode ser evitado. Será um lindo presente pra quem quiser aprender, por isso inscreveremos essa movimentação no Criativos da Escola, para que ainda mais gente entenda na prática o Design For Change.

O começo de um novo mundo já está garantido. Alguém duvida que conseguirão? Se ainda duvida, fica o recado lindo do João, que é tão grande que não cabe em seu corpinho: “eu só falo de coisas que são importantes”. E a aula dada aos educadores sobre o que é chakra (que resumimos, porque não caberia em todos os livros didáticos do mundo), por um menino de 9 anos: “existem dois tipos de energia. A da natureza e chakra. Mas, na verdade, é uma coisa só. Todo mundo tem e é só fazer o treinamento com os sábios que guardam esses selamentos”. Depois disso, foi mostrar orgulhoso a horta que estão acompanhando.

Dizer o quê? O fim do mundo está próximo. O novo, já começou. É um bom dia para estar vivo!

Vejam um pouco de como foi: http://www.magisto.com/embed/MSo6B01VA1Q5JHAEDmEwCXt_?l=vem&o=w&c=b

Fonte : Blog Econuvem

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